Um Sim Um Não

 Para a sala numero 3 do Lugar do Desenho, escolhi trazer  um conjunto de trabalhos
 que fazem parte  da minha mais recente investigação no campo da intersecção entre têxtil e desenho mediada pelo corpo. O nome da  peça que dá o nome a esta  exposição – Um Sim Um Não, remete para o movimento alternado do tear que é responsável pelo entretecer da teia e da trama para construir o tecido.
Estes movimentos repetitivos e obsessivos são os mesmos movimentos pelos quais se constroem também os desenhos que mostro aqui. De facto,  os atos têxteis possuem qualidades obsessivas e viciantes; provocam a  tentação de nos deixarmos enclausurar em processos que se desenrolam com eles mesmos, e com os que são arrastados para eles. Esses processos são executados  de uma forma lenta e repetitiva que levam a cabo a construção da peça, milímetro por milímetro, ponto a ponto, laçada sobre laçada.
A repetição está então associada à manutenção de um ritmo, e é através do gesto repetido da ação dos processos, que se constrói a superfície têxtil.  Ao contrário de uma visão autográfica que reconhece no desenho uma imagem única e irrepetível, o gesto do têxtil não pode ser separado de um impulso para uma repetição automática.  Este gesto informou os   desenhos,  não do   ponto de vista privilegiado de uma visão monocular, mas que progridem num espaço aberto e háptico.

                                                                                                       

                                                                                              END AND PICK
 

 

In room number 3 at Lugar do Desenho, I chose to bring a collection of work that are part of my most recent studies on the field of interception between drawing and textile mediated by the body. The name of this piece denominates this exhibition – Um Sim Um Não ( End and Pick). This title reflects the alternate movements of a weaving loom that is responsible for the weaving of a warp and weft that build a fabric.
These repetitive and obsessive movements are the same movements as by the exhibited drawings are constructed. In fact, the procedural acts of textile construction possess obsessive and addictive qualities. These provoke the tension that makes us enclosure in processes that unwind within themselves and the same tension that drags us to them. These processes are executed in a slow and repetitive manner that carries out the construction of a piece, millimeter by millimeter, point by point, lasso by lasso.
Repetition is therefore associated to the maintenance of a rhythm, and it is through the repeated gestures of the process that a textile surface is constructed. In opposition to a vision of authorial drawing that recognizes a unique irrepetible image, the gestures associated with textile cannot be detached from an impulse for automatic repetition. These gestures inform drawings, without any privileged point-of-view, of a monocular vision, but a  progression in an open haptic space.


             Isabel Quaresma